No clima olímpico

Para não dizer que não falei das flores – ou melhor, das Olimpíadas – vou falar de uma atleta por quem venho torcendo já há um bom tempo: Maurren Higa Maggi, saltadora em distância.

Maurren chega a esses Jogos como uma atleta experiente e bem preparada, com grandes chances de ser medalha de ouro, em especial depois que sua principal rival foi eliminada ontem (a portuguesa Naíde Gomes). Depois da prova, em que fez o segundo melhor salto, de 6,79m, estava sorridente e confiante, mandou beijos para a filha Sofia, deu tchau para as câmeras.

Mas a razão pela qual torço por Maurren não é apenas a sua competência como atleta, nem o seu carisma. Torço por Maurren porque ela é o maior exemplo que conheço de força de vontade e garra. Enquanto tantos atletas fraquejam diante de pequenas dificuldades, ela teve força para chegar ao topo duas vezes: a segunda, hoje em dia, depois de conhecer o abismo.

Em 2003, às vésperas do Pan de Santo Domingo, em que era favorita, Maurren foi pega no exame antidoping, por uma substância contida em uma pomada cicatrizante que usou depois da depilação a laser. Sua versão dos fatos foi confirmada pela jornalista Luciana Ackermann, que decidiu tirar a prova, fazendo a mesma depilação e usando a mesma pomada, na mesma dosagem que Maurren – e acusando no exame o mesmo nível de clostebol que a atleta. Diante desse e de outros fatos, Maurren foi absolvida por unanimidade pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, no Brasil. Porém, quando o caso foi remetido para a justiça desportiva internacional, ela foi condenada a 2 anos de suspensão, e, desanimada, não apresentou defesa para a Corte de Arbitragem do Esporte.

Magoada e decepcionada, durante o afastamento ela se casou, teve uma filha, pensou em desistir de vez. Mas o casamento acabou, e, sem chão, ela decidiu voltar. E voltou em grande estilo, ganhando o GP Americano, em Bogotá, em 2006. Em 2007, ganhou o ouro nos Jogos Panamericanos do Rio.

Ainda não sabemos o final dessa história olímpica, que será decidida em Pequim, nessa sexta-feira. Numa Olimpíada de resultados medíocres para o Brasil (vide o blog Bronze Brasil 2008), e surpresas desagradáveis como as ocorridas com Diego Hypólito e Fabiana Murer, infelizmente tudo pode acontecer.

Não sou fã de esporte, em geral, mas sou fã dessa mulher forte e decidida, e torço para que ela fique no topo do pódio. Não por representar um resultado para essa abstração que é um país, nem para melhorar nosso quadro de medalhas, mas por ela mesma, e por tudo o que passou até poder voltar a sorrir para as câmeras.

Quadro da Revista Veja – as chances de Maurren

Mais sobre a Maurren:

Revista TPM – matéria de novembro/2006, logo depois da volta
Revista Veja – matéria pré-olímpica de julho/2008
Site Terra – entrevista logo depois da vitória em Bogotá

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2 comentários sobre “No clima olímpico

  1. Eu não acompanhei o salto da Maureen, só o masculino e quase morri de dó do atleta brasileiro que chorou até porque não conseguiu… ver a decepção estampada nos olhos de um atleta (que é muiiiiiiiito competente) é triste! 😦

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