Tempo

O que eu queria era falar do tempo. Queria dizer que ele passou de repente. De repente “it dawned on me” que a vida é outra.

Amanheceu hoje um lindo dia fresco e ensolarado, com um céu limpo de chuva que caiu ontem de uma vez. O barulho da chuva na janela me fez feliz, o vento com cheiro de terra molhada, de poeira assentando. Eu sou da chuva. Quando as coisas importantes acontecem na minha vida, está chovendo.

A vida é outra, existe uma nova canção no meu peito, há no meu gesto um outro gesto, uma outra voz na minha voz. Há no meu ser o que sou e não sei.


Veio o tempo, e mudou a configuração das dunas do areal. Moveu as nuvens. Roeu as montanhas. O tempo veio e criou um vale pro rio passar. E o rio do desejo veio correndo por esse novo leito, veio enchendo as margens de verde, fazendo brotar as pastagens e as flores.

O tempo cicatrizou as feridas, amorteceu as dores, aparou as arestas. O tempo trouxe paz, e trouxe guerra para fazer valer a paz. Trouxe lembrança e esquecimento, que é lembrando e esquecendo que se constrói a história de cada um.

E só o tempo, só ele, permite construir o amor. No tempo o amor brota e se enrosca, frutifica, se fortalece, cria raiz, invade a vida, ilumina os dias, dá sentido, conduz.

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4 comentários sobre “Tempo

  1. O típico texto da Deh que a gente é capaz de ver borboletas coloridas voando na tela, e que chega a dar nojinho! É bom, é muito bom ver você assim! :DBeijinho.

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