Psi..o quê? Ou: no divã (que não é o filme)

Como disse antes, voltei para a análise, e talvez seja por isso que ande postando pouco. As ideias estão desorganizadas demais.

Quando comento que frequento o psicanalista, muita gente fica curiosa, quer saber mais, até porque existe um certo misticismo rondando a psicanálise, fomentado por filmes, livros e comentários debochados em geral.

Freud, o próprio

“Algumas vezes um charuto é apenas um charuto”

(Para ver uma boa representação das fantasias que se nutre acerca do psicanalista, vale a pena assistir ao curta feito por Steven Soderbergh no filme Eros. O filme teve uma péssima recepção pela crítica, em grande parte, por não ter atingido suas pretensões, em se tratando de três diretores consagrados, sendo Antonioni considerado um gênio do cinema. Mas é bom, ainda assim.)

Não sou uma especialista em psicanálise, meu estudo sobre o tema se resume a uns dois ou três livros de Freud, mas já tenho um bocado de milhagem de divã. Então, acabo tendo minhas próprias maneiras de explicar o processo aos curiosos.

O famigerado divã, em LondresAlgo que sempre digo a respeito da psicanálise é que começar a frequentar o analista é como começar a arrumar um armário: é preciso desarrumar tudo, para tentar reorganizar depois. A fase inicial da análise é muito difícil, a família e os amigos reclamam, a gente mesma fica se sentindo meio fora de lugar. Mas, aos poucos, como acontece com o armário, as coisas vão se encaixando aqui e ali, e o desespero com a bagunça diminui (embora a bagunça em si possa levar muuuito tempo para melhorar).

Um mito comum que é bom esclarecer: analista não resolve problema. Analista não dá conselho. Não adianta ir até lá achando que vai ser como uma maquininha de refrigerante, em que você insere a moedinha, aperta o botãozinho com a descrição do seu problema, e a latinha com a solução cai pelo buraco.

Deita aqui pra você ver...

Rapadura é doce, mas não é mole, não!

Análise dá trabalho para o analisando. O analista vai conduzindo, provocando, sugerindo, mas ele não chega às conclusões por ninguém. Cada um precisa elaborar suas próprias questões, trazer à tona os conflitos que estão ocultos, e mastigá-los bem. Ruminá-los na busca do tão procurado insight, o orgasmo da análise, o momento em que, usando a metáfora do armário, uma caixa acha seu lugarzinho na prateleira adequada – e que nem sempre é aquela onde se queria inicialmente colocá-la.

Lacan, que complicou tudoNo meu caso específico, meu analista é lacaniano, e usa a técnica do tempo lógico: a sessão não tem duração fixa, e termina no momento… lógico – ou seja, no momento em que o analista percebe que algo importante foi dito, que alguma conclusão importante foi atingida. Isso significa que já tive sessão de 15 minutos, de meia hora, de 45 minutos, e devem continuar variando. Analistas freudianos, por outro lado, têm sessões com duração fixa, o que algumas vezes implica silêncios intermináveis e constrangedores – o que também tem seu lado interessante.

O objetivo disso tudo? Tentar diminuir a angústia, encontrar o próprio desejo, dar voz a ele, e enxergar os problemas apenas do tamanho que eles realmente sejam, ou o mais próximo possível. E ainda parece pouco. Não é à toa que dizem que só maluco faz análise.

A complicação em si

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6 comentários sobre “Psi..o quê? Ou: no divã (que não é o filme)

  1. Puff… análise eu fiz por 4 anos, junguiana… e nunca mais viu! Tem vezes que penso se nao seria bom voltar, mas dá trabalho demais! Acho que uma boa tarde rolando no chao com o cachorro resolve todos os traumas, hehehe…

  2. Não conhecia o estilo lacaniano de terapia.Gostei.Eu fiz a Freudiana por anos e senti que ajudou muito.Em Compensação tinha sessões em que eu sentia que o troço simplesmente não rendia.Se voltar pra terapia algum dia,vou tentar a lacaniana.

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